O Norte da França é sempre motivo de piada entre os próprios franceses. Talvez você já visto isso retratado em filmes, especialmente nas comédias. Enquanto o sul guarda no imaginário de grande parte das pessoas o estilo despojado chique que habita os sonhos de muita gente (pense Cannes, Nice e Saint-Tropez), o norte lembra frio e um sotaque e jeito de ser que poderíamos chamar de caipira; enquanto Paris é...bem, enquanto Paris é Paris, o norte seria desprovido de charme e de cultura. Por tudo isso, minhas expectativas eram baixíssimas ao visitar a cidade de Lille, na fronteira com a Bélgica. Para completar, havia previsão de chuva e ventos fortes, com possível queda de árvores. Nunca fui tão feliz por ter minhas expectativas frustradas!

Para começar, a arquitetura da cidade é uma graça. Parece saída de um conto de fadas. Muitas ruas com casinhas fofas em um estilo que mistura muitas influências (Lille está a 35 minutos de trem de Bruxelas, a uma hora de Paris e 1h40 de Londres) e que funciona muito bem. Além disso, tive o bônus da decoração de Natal, com direito a roda gigante na praça principal, mercado de artesanato natalino e muita iluminação pelas ruazinhas do centro. Eu não sou muito fã de decoração excessiva de Natal, acabo me sentindo meio oprimida, mas ali o clima era de descontração, não sei bem explicar, talvez seja algo relacionado ao clima de cidade de interior. As lojas eram outro espetáculo à parte com suas vitrines super charmosas, sem falar nas inúmeras confeitarias com aquela delicadeza que só os franceses conseguem imprimir em um doce.



Um outro aspecto que adorei foi a infinidade de ciclovias por todo lado que se olhasse e os vários pontos de aluguel de bicicleta que eram utilizadas tanto por turistas como pela população local. Aliado ao metrô e trens para cidades vizinhas, me passou a impressão de um lugar com um trânsito menos caótico e pensado para ser vivido pelas pessoas em vez de tomado pelos carros. Claro que isso pode ser apenas uma impressão inicial, mas o fato é que as ruas do centro estavam sempre tomadas pelas pessoas (e dava para perceber que eram da região - os turistas eram minoria), tornando a cidade mais viva mesmo nos dias muito frios.


Na internet também descobri que o Palais des Beaux-Arts de Lille é o museu com o segundo maior acervo da França, perdendo apenas para o Louvre. Chegando lá ainda descubro que o ingresso custa apenas 7 euros e o audioguia é gratuito. Como é boa a vida no interior! Rs. O senhor google também me contou sobre um museu em uma cidade vizinha que funciona em uma antiga piscina pública desativada e esta foi outra descoberta feliz. Além da qualidade das obras, vê-las expostas no antigo espaço de uma piscina art déco tornou tudo mais interessante. Pessoalmente senti que o capítulo cultural da viagem foi bem preenchido.

Por último, mas não menos importante, a simpatia do povo. Sim, sim, simpatia dos franceses, eu sei... Mas ali não é Paris, não há aquela atitude arrogante ou blasé. Pelo contrário, o que encontrei foram pessoas super simpáticas, animadas, educadas, sempre prontas a ajudar e a tentar entender o meu francês macarrônico com um sorriso no rosto. Talvez esta tenha sido a grande surpresa de Lille! Existe um ditado francês que diz que quando alguém tem que ir morar no Norte, chora duas vezes: quando chega e quando vai embora. Nestes dias tive um gostinho para começar a entender o porquê.
E claro que não poderiam faltar os "espólios" da viagem: embalagens do que foi consumido por lá e tickets dos locais visitados, mas esses vão ser detalhados no próximo post, com novas embalagens que estão agora no forno. Não deixe de voltar para conferir e se inspirar ;)