20 abril 2016

Aprendendo sobre flores (e não só!)

 Há algum tempo decidi que de vez em quando é bom sair da minha zona de conforto e ouvir ou aprender sobre algo novo que não tenha nada a ver com o que faço, que não vá me acrescentar nada na vida além do prazer único de estar ali aprendendo sobre algo que não sei nada. É por isso que acompanho palestras gratuitas regulares de neurociência e economia e assisto a concertos de instrumentos barrocos. E foi a mesma motivação que me fez inscrever-me em um workshop de coroas de flores naturais. 



Você aí que me acompanha pode pensar que sou uma pessoa craft por causa das embalagens que apresento aqui. Nada mais longe da verdade! Acho que até tenho um bom olho para juntar coisas aparentemente díspares, mas confesso que sou uma negação com desenho, pintura e habilidades manuais de modo geral. Sou daquelas que inveja as artesãs mas já se convenceu que não leva jeito para a coisa. Juro! Enfim, todo esse preâmbulo para dizer que um workshop de coroa de flores não parecia muito arriscado mesmo para alguém como eu. Afinal, juntar flores em um arame não pode ser tão difícil, não é? 


Ledo engano... Bastou a linda e artística professora começar a falar (nesse cantinho aí acima de uma mercearia super cool) para o pânico se instalar. A coisa toda parecia muito mais trabalhosa que o esperado e o resultado das minhas habilidades certamente caminharia para o gosto duvidoso. Apesar de reticente, já que estava ali mesmo, o jeito era colocar a mão na massa.


E não é que até me dei por feliz com o resultado final? Coisa que, convenhamos, é o que geralmente acontece depois do pânico inicial de não saber como a banda toca! Apesar de ter ficado com uma coroa que apresentava justamente os dois defeitos que fomos instruídas a tomar cuidado (não deixar muito bojuda nas laterais nem com "chifrinhos"), comprovei mais uma vez que essa é uma das delícias de sair da minha zona de conforto: perceber que, do meu jeito particular e único, posso criar, aprender, me apropriar e até transgredir um saber ou uma arte. A magia do aprendizado!

E você, anda aprendendo algo novo por aí? Me conte o quê!




14 abril 2016

Pare e respire #21 - você tem medo de quê?

Adoro a frase do Woody Allen que diz: "Talento é sorte; o importante na vida é ter coragem." A criatividade e facilidade que cada um de nós temos em uma determinada área que faz nossos olhos brilharem muitas vezes é esmagada por esse companheiro que não conseguimos despistar, especialmente quando nos colocamos em um lugar de vulnerabilidade (e, acredite, mostrar ao mundo algo que criamos é um lugar de vulnerabilidade): o medo.  

Medo é um dos nossos instintos mais primários. Aprendemos cedo a reconhecê-lo e a dar ouvidos a ele porque, em última instância, é por sua causa que todos nós estamos vivos até hoje. Foi ele que nos protegeu nas mais diversas situações - como humanidade e como indivíduos - e nos permitiu sobreviver. Entretanto, esse componente evolutivo que está entranhado no nosso cérebro não consegue distinguir muito bem as diferenças de risco: ele aparece quando andamos sozinhas por uma rua escura, quando vamos dar uma palestra, quando estamos prestes a nos apaixonar ou a começar um novo negócio. Quando qualquer coisa pode dar errado, o medo aparece rapidinho como um manto protetor e, como nós o conhecemos bem e lidamos com ele há tanto tempo, sentir medo torna-se paradoxalmente confortável. 


E assim deixamos de apresentar ao mundo o melhor de nós, aquilo que desperta a nossa paixão e encantamento, aquilo que nos faz passar horas criando ou pesquisando sem sentir o tempo passar, aquilo que expressa o que verdadeiramente somos, seja por meio da escrita, do bordado, da fotografia, da cozinha ou da matemática. 

Existe hoje uma ideia generalizada de que é preciso vencer o medo para seguir em frente com qualquer projeto, mas eu gosto muito de um outra abordagem apresentada da autora Elizabeth Gilbert. Em seu livro Grande Magia ela fala que o medo está sempre com ela durante seu processo criativo - como eu disse, aquele companheiro que não conseguimos despistar - e que ela reconhece isso, aceita isso, mas não permite que seja o medo que tome as decisões. Ela usa a metáfora de um carro em que ela está ao volante e o medo no banco do trás. E não apenas isso: ele não pode indicar o caminho, tocar no mapa, decidir onde parar e nem mesmo escolher a rádio. Essas decisões são todas dela, ou minhas, ou suas! O medo continua lá mas não impede de seguirmos nosso caminho.



 Qualquer que seja a expressão da nossa criatividade ela vai estar mais bem cuidada se tiver espaço para existir. As críticas, problemas e rejeições vão acontecer, como acontecem para todos. Mas a realização de ter criado algo é insuperável, como acontece para aqueles que vão além do talento e encontram coragem.







11 abril 2016

Embalagem com bijus

Acho que é seguro dizer que praticamente toda mulher tem mais bijuterias do que consegue usar. Por mais que a gente faça um rodízio, doe, desapegue, é impressionante como elas simplesmente se reproduzem dentro do armário! Quando mudei para Lisboa, há dois anos, doei cerca de dois terços das minhas bijus. Praticamente fiquei só com aquilo que realmente usava e algumas peças para eventos especiais. Agora, apesar de não ter comprado uma única peça durante esse período, já estou com um volume muito maior de coisas. Cheguei à conclusão que bijuterias são o presente que mais ganho! Rs

Imagino que você também tenha por aí algumas coisas guardadas que talvez há muito tempo não vejam a luz do dia. Então, que tal presentear uma amiga querida com ela e, de quebra, deixar a embalagem muito mais charmosa?


Fiz uma seleção de algumas coisas que estavam dando bobeira por aqui, como as pulseiras acima. Broches, flores de cabelo, colares e até mesmo brincos podem virar um acessório interessante para um pacote de presente, além de ser também um presente!



A borboletinha acima é uma espécie de faixa elástica para cabelo. Já a libélula abaixo é um broche que ficou fofo nessa espécie de "ninho" que criei sobre o papel florido, uma opção mais temática para a primavera que já está dando o ar da graça por aqui. 






Flores de cabelo ou broches são as opções mais óbvias por serem muito fáceis de adaptar, mas um olhar desprendido para outras bijuterias pode render belas composições. Assim você se livra do que está apenas abarrotando seus espaços e ainda faz um mimo extra para alguém que você gosta. 




Que a sua semana seja doce e criativa!




PS: Quer ver mais ideias fofas? Passa lá no insta ;)


06 abril 2016

Pare e respire #20 - encontros difíceis

Algumas pessoas que encontramos nessa vida irradiam luz e alegria ao primeiro olhar. Estar com elas é leve, é fácil, natural. Com outras o encontro parece que demora a acontecer e, como vivemos em um mundo imediato, um mundo em que tudo está ao alcance de um clique, o que fazer quando não se “clica” logo na primeira vez? Uma palavra dita no timing errado (ou mesmo não dita) pode mudar todas as nossas expectativas sobre o outro.

Às vezes não sabemos pontuar precisamente o porquê ou quando o incômodo apareceu, mas o interessante é refletir como isso diz muito mais de nós do que outro. Encontrar alguém que nos tira do sério ou que nos deixa desconfortáveis em algum nível pode se tornar uma grande fonte de aprendizado e desevolvimento. Em última instância, dar uma segunda chance a alguém que não gostamos pode significar dar uma segunda chance a nós mesmos, para partes nossas que ainda não compreendemos bem ou que temos dificuldade de lidar.
Claro que isso não significa incentivar aproximação com pessoas destrutivas que claramente são tóxicas para a nossa vida. Estou falando de coisas muito mais sutis, de sentimentos que muitas vezes não gostamos de ver em nós, mas que estão lá e que algumas pessoas fazem vir à tona com uma facilidade incrível! E então nos encontramos frente a frente com uma oportunidade única de autodesenvolvimento sem recorrer a terapia ou práticas espirituais. Uma porta de entrada que o nosso cotidiano nos dá para entendermos um pouco mais de nós e, de bônus, praticar as virtudes da generosidade e paciência.

Visto assim, cada encontro que temos nessa vida, por mais duro ou incômodo que seja, é um presente. Talvez esta seja uma perspectiva utópica – vamos combinar que é difícil encarar o colega de trabalho mal-humorado todos os dias como um presente - mas talvez seja a utopia que nos empurre a crescer, a acreditar que podemos evoluir sempre sem depender de tempo ou dinheiro, apenas existindo na nossa vida cotidiana da melhor maneira que conseguimos.     

04 abril 2016

Embalagem com calça jeans reciclada

O que tem numa calça jeans rasgada? Para mim, tem minha filha deitada na grama do parque fazendo piquenique, ou correndo e rindo com as amigas quando a chuva aperta antes de chegarem à escola, pulando na cama, tirando foto fazendo careta, sentada no chão tocando violão, e muitas outras memórias bonitas da uma menina feliz e saudável crescendo. 

Depois de acompanhá-la por tanto tempo, a calça faleceu por carga de trabalho excessiva, de um tal modo que não serve nem para doação! Sorte minha, que pude fazer experimentos e criar embalagens super fofas com seus restos mortais!


Esse jeans tem uma lavagem bem interessante, que dá um efeito super bonito, e muito elastano, portanto o que fiz foi apenas cortar faixas de diversas larguras de cada perna e "vestir" as caixinhas com elas. 


Só isso. Sem acabamento, sem costura, sem cola, sem fita adesiva. Apenas aproveitei a faixa elástica que se formou, desfiei um pouquinho as laterais para reforçar o acabamento rústico e está feito! Mais simples, impossível! 


Adorei a versatilidade da brincadeira (e da calça, que mesmo depois de "morta" ainda serve a vários propósitos). Acredito que essa ideia pode trazer um ar cool para qualquer caixinha sem graça que você tenha por aí. 
Ainda tenho por aqui os bolsos, que devem render outras ideias, e depois venho mostrar para vocês, claro! 


Acredita que esta postagem iria chamar-se "3 maneiras de usar uma calça jeans" mas fiquei com medo de que fashionistas raivosas pela propaganda enganosa começassem a pipocar com comentários, digamos, não construtivos? Ultimamente parece que a internet virou um verdadeiro faroeste em que as pessoas se sentem à vontade para destroçar o outro com palavras sem um pingo de reflexão. Bem, mas isso é assunto para outro post... 

Tenha uma ótima semana, com muita leveza e simplicidade; meio como uma calça jeans rasgada por excesso de uma vida feliz ;) 








30 março 2016

Pare e respire #19 - amor sem vírgula

Escritos aleatórios, dez segundos de pausa para respirar beleza e simplicidade no meio da semana:



Amor sem vírgula

              Escreva, amor. Suas dúvidas, seus medos, o peso de tudo que nos une e separa do chão.

              Escreva amor. Sem dúvidas, sem medos, a força de tudo que nos une e separa do chão.











28 março 2016

Inspiração para a semana - o que você faz?

Quando conhecemos alguém, após saber o seu nome, a pergunta inicial mais comum é : o que você faz? E nós, todos nós desse planetinha azul, fazemos muitas e muitas coisas, mas  não respondemos a esta pergunta dizendo que fazemos voluntariado aos sábados, ou que preparamos um peixe como a pessoa nunca viu, ou que cantamos em um coral, ou que frequentamos o templo budista, ou que corremos oito quilômetros todos os dias, ou que levamos jeito para organizar malas. Não. Nossa resposta vai girar em torno do trabalho, atendendo à necessidade tão humana de compartimentar para compreender. Assim, nos compartimentamos e nos oferecemos dentro dessa caixinha para o outro. 


E não há problema algum nisso, mas é curioso que esta seja atualmente a principal forma de nos projetar na sociedade. Eu tenho curiosidade de saber em que ponto da nossa história como humanidade nosso valor se associou tão intrinsecamente ao nosso trabalho. Será que na Idade Média a primeira pergunta quando se conhecia alguém era sobre o que ela fazia? Será que isso era o que identificava alguém? E eu quero enfatizar o "identificar" nessa história. Nossa identidade está tão intimamente ligada ao nosso trabalho que a maioria das pessoas reconhece um dia bom de acordo com um dia bom no trabalho, e pior - do meu humilde ponto de vista - identifica o seu valor como pessoa com o valor do seu trabalho ou com quão bem seu trabalho se desenvolve no momento. 

Apesar de termos racionalmente uma percepção de que somos muito mais do que o nosso trabalho, o fato é que muitas vezes permitimos que ele seja a medida do nosso valor pessoal. Então, quando o trabalho vai bem, quando as coisas acontecem, quando recebemos promoções, quando nosso negócio decola, nos sentimos bem-sucedidos não apenas em um nível profissional, mas também pessoal. Por outro lado, se as coisas não correm como gostaríamos no nosso emprego ou na nossa empresa parece que fracassamos como pessoas. E o detalhe mais importante é que na maioria das vezes nem nos damos conta disso, apenas nos deixamos levar por esse sentimento de não estar fazendo o suficiente, de não ser bom o suficiente. 



Esse não é um ciclo fácil de quebrar! Penso que é preciso que tenhamos lembretes em nossas vidas de que somos mais. O meu lembrete pode ser uma meditação diária, o seu pode ser o tricô, o da minha vizinha pode ser o sorriso da filha, o da sua pode ser a mãe doente. Lembretes de que somos de uma riqueza e de uma imensidade sem iguais. Lembretes de que todos nós temos algo de belo e de bom para oferecer, que é da nossa própria natureza, como um dom que pode e deve ser compartilhado em prol de tornar o mundo um lugar melhor. E o mundo se torna um lugar melhor por pessoas que realizam muito, mas, em sua maior parte, ele se torna melhor pela generosidade de formiguinhas, como eu você, sete bilhões delas, trabalhando muito além do escritório e descobrindo o real valor que há no outro. E em nós!

Um linda semana para você!   

23 março 2016

Mesa de Páscoa improvisada

Este post veio no improviso, com fotos tiradas no celular pela falta de tempo (ou de organização) para fazer as coisas com antecedência, antes que a luz acabasse e as pessoas chegassem. Mesmo sendo tudo muito simples -  um lanchinho entre amigos com pão, queijo e vinho - achei que valia a pena mostrar que mesmo sem uma decoração chique e cara é possível fazer uma mesa bonita para saudar a Páscoa, a primavera (no nosso caso aqui no hemisfério norte) e, principalmente, os amigos!

Foto pós-festa com as sobras e presentes. Fez uma bela composição no almoço do dia seguinte ;)
Comecei recolhendo tudo que poderia lembrar o tema que havia pela casa. Os coelhinhos de louça moram o ano todo na minha estante. Para ser bem sincera, eles são sim decoração de Páscoa: comprei em um supermercado na Alemanha há alguns anos por 1 euro mas foi por paixão mesmo, tanto que eles fazem parte da decoração definitiva da casa. Juntei os castiçais e porta-manteiga de passarinhos, pratos com motivos florais, guardanapos cor-de-rosa e flores campestres. A isso se somaram os coelhinhos, galinhas e ovinhos de chocolate que eram a lembrancinha desse encontro. 


A caixa de vinho, minha fiel escudeira que já mostrei aqui, acomoda queijos, outros frios e frutas, além de criar um movimento interessante na disposição da mesa. As flores (um maço de supermercado) foram para potinhos diversos de molhos, geleias e iogurtes. Toalhinhas de linho e crochê e os coelhinhos de chocolate se espalham aleatoriamente para dar uma graça ao conjunto.





Nesta última foto dá para ver um coelhinho recortado em tecido. Minha intenção era fazer vários com um molde simples e os retalhos que tenho por aqui, mas não houve tempo para tanto, então este foi o filho único de toda a decoração ;)



Dois detalhes simples que podem ser aproveitados por todos: passarinhos de loja de jardinagem (sempre tenho um ou outro por aqui) e caixinhas de ovos, daquelas mais comuns. 
Para completar a festa, os amigos vão chegando com sua alegria e quase nunca trazem as mãos vazias, então a mesa vai sendo preenchida ainda mais. Abaixo fica uma amostra das amêndoas super especiais trazidas pela Val do L'avion rose, que alegraram ainda mais a nossa noite com toda a sua delicadeza. Mimos de infância portuguesa que eu não conhecia! 


Então, ficou assim! Muito carinho, risadas e alegria, com pequenos toques aqui e ali para tornar tudo ainda mais festivo. Feliz Páscoa!








01 março 2016

Pare e respire #18 - limites

Sou da geração que foi ensinada a dar conta de tudo. Sozinha. Ponto. 
Uma geração que precisa(va) se provar o tempo inteiro. Neste mundo em que vivemos, particularmente no momento em que vivemos, praticamente nenhuma mulher foi ensinada sobre seus limites. Especialmente sobre respeitar seus limites. Mais especialmente ainda que impor seus limites é uma atitude de amor e respeito, não só consigo, mas também com o outro.  


Limite é uma palavra para qual não olhamos muito, a não ser quando chegamos lá, no limite. Enquanto isso não acontece, temos a tendência a ir deixando acontecer. Percebo que nos deixamos emaranhar por essa teia porque temos a tendência a evitar o que é difícil no momento. Por alguma razão é mais fácil dizer sim e depois carregar ressentimento, julgamento ou raiva por essa escolha. Achei fascinante ouvir a pesquisadora Brené Brown falar sobre o assunto e expor o mantra que criou para essas situações: escolha desconforto em vez de ressentimento. O desconforto de dizer não para o chefe, para a amiga, para o filho ou companheiro, paradoxalmente, revela-se uma mostra de nossa integridade e generosidade, porque estamos falando de um lugar real de sentimento e coragem. É como se estivéssemos dizendo: eu te amo o suficiente para ter essa conversa difícil com você em vez de empurrar para debaixo do tapete e fingir (por um tempo) que nada aconteceu. Eu tenho tanta consideração por você que não vou permitir que essa situação se transforme em uma história na minha cabeça que vai acabar em ressentimento, fofoca ou falar de você pelas costas.


Não, ninguém disse que é um caminho fácil. Estabelecer limites pode ser assustador, porque conversas difíceis são... difíceis. A primeira boa notícia é que, como a maioria das coisas que são inicialmente complexas, isso pode ser suavizado com a prática. Se estabelecemos como prioridade acolher nossos limites nos relacionamentos com amor e reverência ao outro acabamos por desenvolver uma habilidade para esse tipo de comunicação que nos parecia tão árdua. A segunda boa notícia é que normalmente as pessoas vão nos admirar e respeitar mais por isso, pois todas sabem que não é um processo simples que implica uma conexão de um nível mais profundo e verdadeiro.

Eu ando às voltas com essas ideias porque chega uma idade em que é preciso aprender a fazer coisas que evitamos a vida inteira. Principalmente para mim, que acredito que viemos todos a esse planeta para aprender e crescer, evitar não é (mais) uma opção. Então tenho buscado a escolha do desconforto. E posso afirmar de boca cheia que ela é muito, mas muito mesmo, desconfortável! Talvez por isso eu ainda esteja aqui tateando nesse percurso! Por outro lado é seguida por uma sensação libertadora que me fez até pensar no meu próprio mantra para as horas em que dá vontade de recuar: depois do desconforto vem a leveza. Apoiar essa ideia em um tripé de coragem e amorosidade tem me proporcionado momentos únicos e belos.

E você, como lida com seus limites?






19 fevereiro 2016

Para não estar ausente


Para a saudade, terra
Para o apreço, gente
Para as dúvidas, mergulho
na água
na alma
na calma
Para todas as outras coisas
tempo
E tempo




Ando por aí,  vendo o mundo e abraçando gente, mas sempre com vontade de voltar aqui, nem que seja para poucas palavras. Por hoje, ficam essas! 


    ♥

03 fevereiro 2016

Pare e respire #17: Uma breve história da humanidade

Estamos acostumados à ideia de sermos a única espécie humana sobre a Terra, mas há 100.000 anos (um piscar de olhos em termos de evolução) existiam cerca de 6 espécies de homo no planeta, todos tão humanos como eu e você. Nós não fomos, como a maioria de nós pensa, evoluindo de homo erectus ou homo neanderthalensis até o homo sapiens. Nós somos diferentes espécies de um mesmo gênero, como há hoje diversas raças de cachorros. Inclusive há descobertas que apontam que há pessoas que carregam DNA neandertal por aí! Essas e outras ideias estão no livro Sapiens: Uma breve história da humanidade de Yuval Noah Harari. Fiquei fascinada com as perspectivas apresentadas por ele para a nossa espécie! Segundo o autor (doutor por Oxford e professor na Universidade de Jerusalém) a ideia de que o homo sapiens é o ápice do desenvolvimento é uma grande falácia.  É intrigante pensar o mundo sob esta ótica! Que planeta teríamos se todas essas espécies tivessem sobrevivido aos dias atuais?

Um outro aspecto interessante que pode ser essencial para entender nossa história e nossa psicologia é que até bem pouco tempo os humanos estiveram em um posição intermediária na cadeia alimentar e somente nos últimos 100 mil anos (como eu disse, um piscar de olhos em termos evolutivos) passou para o topo. 


"Esse salto espetacular do meio para o topo teve enormes consequências. Outros animais no topo da pirâmide, como os leões e os tubarões, evoluíram para essa posição gradualmente, ao longo de milhões de anos. Isso permitiu que o ecossistema desenvolvesse formas de compensação e equilíbrio que impediam que leões e tubarões causassem destruição em excesso. À medida que os leões se tornavam mais ferozes, a evolução fez as gazelas correrem mais rápido, as hienas cooperarem melhor e os rinocerontes serem mais mal-humorados. Diferentemente, a humanidade ascendeu ao topo tão rapidamente que o ecossistema não teve tempo de se ajustar. Além disso, os próprios humanos não conseguiram se ajustar. A maior parte dos grandes predadores do planeta são criaturas grandiosas. Milhões de anos de supremacia os encheram de confiança em si mesmo. O sapiens, diferentemente, está mais para um ditador de república das bananas. Tendo sido até tão pouco tempo atrás um dos oprimidos das savanas, somos tomados por medos e ansiedades quanto à nossa posição, o que nos torna duplamente cruéis e perigosos. Muitas calamidades históricas, de guerras mortais a catástrofes ecológicas, resultaram desse salto apressado." (p.20)

Gosto de textos que colocam as coisas sob novas perspectivas, que me fazem questionar. É interessante pensar que o planeta, e a nossa própria existência, poderia ter tomado rumos completamente diferentes. Gosto desse dedo apontado sobre a nossa suposta superioridade, nos mostrando que o nosso lugar nada mais é do que parte do todo e, em especial, absolutamente transitório. Em termos individuais podemos até ter um grande respeito pela natureza e por tudo que nos cerca, mas coletivamente andamos por aí como se fôssemos o ápice da civilização, com uma estrelinha escrito "superior" pregada no peito, submetendo todos os outros - os não-humanos - à nossa forma de conceber as coisas. É de se pensar até onde essa arrogância irá nos levar...

Por outro lado, é fascinante perceber o quanto crescemos, mudamos e transformamos o mundo. Talvez nossa inteligência e capacidade possa salvar-nos de nós mesmos e possamos (re)encontrar um equilíbrio que nos permita desenvolvimento sem destruição. A palavra sustentável entrou na moda e ficou tão gasta que parece causar até repulsa em algumas pessoas, mas ainda a vejo como a única possibilidade para que a nossa passagem por aqui não se torne também história como as outras espécies de humanos que por aqui estiveram. 







27 janeiro 2016

Embalagem para (boas-vindas a) bebês

Foi engraçado a hora de escrever esse título, afinal não se trata de embalar bebês - embora os recém-nascidos adorem ficar em "pacotinhos" porque lembram aquele aconchego bom de barriga de mãe - mas de embalagem para presentes de bebês, que já nos remetem a uma certa doçura e delicadeza. Optei então por embalar  um body em três versões, todas em tecido branco.


O tecido pode ser um retalho (quem é dada a costurices sempre tem algum por aí) ou um guardanapo ou lenço antigo que estejam esquecidos no fundo do armário. Lenços e afins são fáceis de encontrar em brechós e feiras por alguns centavos. Por aqui tenho vários, pois não resisto a um belo guardanapo, especialmente quando são trabalhados e com ar antiguinho. Selecionei então três deles por estarem mais à mão e também por serem uma opção acessível para a maioria das pessoas.


O primeiro ganhou um guardanapo com um trabalho na ponta que acabou virando o destaque da embalagem. Embrulhei o macacãozinho formando uma espécie de envelope e depois arrematei com dois pingentes e uma etiqueta. O alfinete que prende os pingentes também ajudam a manter o "envelope" no lugar. A vantagem de tecidos trabalhados é que eles exigem pouco acabamento. A textura e beleza do conjunto não precisam de muitos acessórios.


Um body ou um macacão também pode ser transformado em um rolinho. Com este outro guardanapo de linho apenas envolvi esse rolinho e dei um laço fechando tudo. Bordado de flores e fita de poá ficam responsáveis pela dose de doçura. Para quem não gostar das laterais abertas, sugiro envolver a roupinha em organza para manter a leveza da ideia. Esta opção também funciona bem para meias ou sapatinhos de tricô.


O último tecido é um paninho de bandeja. Como sua textura é ainda mais elaborada que as outras, resisti à tentação de ficar enfeitando demais e escolhi apenas esse marcador de livro que amarra tudo sem excessos. Prontinho: três versões de boas-vindas que não fazem feio nem pesam no bolso!






21 janeiro 2016

Conexão é o que importa

Estar presente por inteiro; escutar com o ouvido, com os olhos, com as mãos, com a inteireza que o outro que está na nossa frente merece; perceber a beleza que carrega a verdadeira conexão humana. Porque no fim é ela que importa. Onde quer que a gente esteja nesse mundo, não é a beleza do lugar, os sabores, as texturas ou os cheiros que tornam nossa experiência memorável. São as pessoas e as formas como nos conectamos que contam. No Brasil durante um mês, matei a saudade de comer manga do pé, de tomar banho de cachoeira, de bolo de mandioca, camarão na moranga. bossa nova de pano de fundo do almoço e pôr do sol do cerrado. Mas, se meu coração retorna pleno, é por causa dos belos encontros. 


Conexão é o que importa. Por isso aprendi a estar em casa em muitos lugares, sem saudosismos, inteira. A casa com manga no quintal é minha, mas também é minha casa a cidade do outro lado do oceano que me acolhe todos os dias. É casa onde a gente é recebido com carinho, com presente cheio de história como a caixinha acima. E é incrível como uma caixa tão pequena pode guardar tantas coisas: aí dentro tem minha amiga Anka saindo para comprar ingredientes para preparar biscoitos, chegando em casa e esquentando o forno, preparando a massa com cuidado na noite anterior, sentindo o aroma se espalhando pela casa, vigiando o forno para que a cor fique perfeita, provando um biscoito ainda quente para ver se ficou bom. Tem suas mãos forrando a caixa com papel cor de rosa, pendurando o pingente e dando o laço várias vezes até que ele fique bom; um pouco como naquelas propagandas com músicas bonitas de fundo que foram feitas daquele jeito pensado para nos emocionar, com a grande vantagem que aqui não tem pessoas tentando me vender nada por trás de uma tela, tem "apenas" vida real e amor.


O Brasil vai ser sempre minha casa, o lugar em que não é preciso pensar para ser quem eu sou. Onde sou atendida no restaurante do meu jeito, onde os abraços dizem coisas que as palavras não alcançam, onde está a família que insiste em crescer e estar junto do jeito que dá, e os amigos que vêm desde a infância e todos os outros que fui agregando pelo caminho continuam sendo chamados e vivenciados como amigos. E em Lisboa eu sempre vou me sentir em casa, porque aqui encontrei quem acolheu meus brasileirismos, gente que se dá as mãos pelas semelhanças e também pelas diferenças. Aqui e lá tento enxergar (com muitos deslizes, confesso) o que realmente importa. Conexões. O que pode ser mais importante?


15 dezembro 2015

Pare e respire #16 - Confiança

Segundo a pesquisadora Charles Folkman, confiar é escolher tornar vulnerável às ações de outro algo que é importante para você. Confiança. É engraçado como a gente imagina que ela é construída com grandes gestos, com coisas extremamente importante e significativas que os outros nos fazem (ou que fazemos a eles). Quando minha filha tinha cerca de dois anos fomos a uma piscina natural e ela estava toda feliz na água mas não queria que nós a segurássemos. Ela acreditava que aquele boiar delicioso acontecia naturalmente. Ela confiava que nada iria acontecer. Claro que nós não a soltamos, apesar de sua grande insistência. Mas esta cena me marcou, pois era um momento mágico, sem medo, sem malícia, completamente puro e inocente, de confiança total. É claro que confiar cegamente pode ter custos altos - no caso da minha filha, ela poderia ter se afogado. E talvez seja por isso que, estatisticamente, quando se estuda confiança, percebe-se que ela se desenvolve bem devagar, e não tem por base grandes atos, mas inúmeros gestos, em geral muito pequenos. Confiança é construída no detalhe. Quando eu me lembro de desejar boa sorte à amiga que vai fazer uma prova importante do mestrado, quando pergunto ao meu colega de trabalho como está indo a quimioterapia da mãe dele, quando eu atendo o telefone mesmo sabendo que aquela conversa vai ser penosa e cansativa, quando eu digo para o meu sócio olho no olho o que eu acho que não está funcionando, quando eu silencio diante de comentários pouco elogiosos em relação a alguém que conheço e milhões de outras mini-ações.



Essas ideias não vieram da minha cabecinha! Eles foram divulgados pela professora e pesquisadora Brené Brown, que estuda assuntos "simplesinhos" como vulnerabilidade e culpa (você pode assistir aqui em inglês sua palestra sobre confiança). Alguns pontos levantados nesta palestra foram surpreendentes e intrigantes. Segundo ela, dois eventos que aparecem nos dados repetidamente como fatores relevantes para a construção de uma relação confiável é comparecer a um funeral, ou seja, fazer-se presente no momento de tristeza e desconforto e, incrivelmente, a habilidade que o outro tem em PEDIR ajuda. Veja bem, não é a habilidade em oferecer ajuda, mas em pedir. É interessante porque, se refletirmos bem, a maioria de nós se disponibiliza a ajudar com uma certa facilidade e desenvoltura; já pedir ajuda é outra história! Para alguns é quase um tabu! Mas o que é pedir ajuda senão se colocar vulnerável frente ao outro? Em outras palavras, o que é pedir ajuda senão confiar? A pesquisadora destaca que se eu me coloco em uma posição de sempre ajudar mas nunca pedir, nunca receber, a verdade é que eu não estou participando efetivamente de uma relação de confiança. Dá o que pensar, não?



Outra questão que me chamou a atenção foi a relação entre confiança e autoconfiança. Quando algo difícil nos acontece geralmente há uma quebra da nossa autoconfiança. Dizemos: eu fui estúpida, eu fui ingênua, eu não posso confiar em mim mesma. Se a confiança está nas minúcias da nossa conexão com o outro, a autoconfiança está embasada no amor-próprio, no auto respeito. Parece óbvio, mas a verdade é: se não conseguimos confiar em nós mesmas, não podemos exigir que as pessoas nos deem aquilo que não temos. Então, se muitas vezes estamos tendo dificuldade em relações de confiança, a primeira coisa que devemos checar é como anda a nossa relação de autoconfiança. Brené Brown diz que é importante olhar para a forma como tratamos a nós mesmas, pois não podemos pedir às pessoas que nos deem algo que não acreditamos que somos dignas de receber. 

Em última instância, parece que a pesquisa confirma o velho ditado: ninguém pode dar aquilo que não tem. O que me leva de volta à minha filha pequenina na piscina e consigo perceber que sua confiança no mundo estava baseada na sua profunda confiança em si, naquela forma infinita, pura e sem hesitação que só as crianças podem ter, mas que nos ensina tanto. Guardo com carinho essa imagem singela de um bebê sorridente e rosado flutuando na piscina como um lembrete para confiar, especialmente confiar mais em mim!





11 dezembro 2015

Inspiração para o Natal - embalagens com tecido

Oi, gente querida!
Por aqui as embalagens de Natal andam muito atrasadas, como é comum acontecer todos os anos, porque dezembro é um mês em que o mundo lá fora chama a gente; e eu, vocês sabem, costumo responder. Adoro esse período de encontros, abraços e celebrações! Mas para haver espaço para isso, o tempo para os feitos criativos acaba diminuindo. Mas é assim mesmo o movimento da vida, não é? Então está tudo certo! 


Para não deixá-las na mão numa época em que todo mundo está buscando um pouquinho de inspiração, separei algumas embalagens que adorei ter feito e que continuam me inspirando. Hoje a escolha recaiu sobre os tecidos, pois sei que há muita gente prendada que passa por aqui e sempre tem algum retalhinho em casa. E também porque é um grande queridinho por sua enorme versatilidade, não apenas pela infinita variedade de padrões mas também pela maleabilidade que permite embalar praticamente qualquer tipo de objeto. 


Um tecido mais encorpado envolve bem objetos cilíndricos sem necessidade de fechar as laterais. Neste caso, usei por baixo um tule que envolvia o presente como um bombom para dar o acabamento e o presente não ficar aparecendo.


A caixinha transparente que chega do supermercado com frutas vermelhas faz bonito com um tecido no topo e a fita que usa os próprios furinhos da tampa. 


Aqui temos três versões de embalagens com tecido. O caderno ganhou embalagem completa, com o tecido branco usado como papel de presente. O saquinho ganhou apliques também em tecido e o marcador de livros, tão fofinho que merecia aparecer, foi apenas coberto com um tule com poá.


Presente de menina ao mesmo tempo delicado e divertido, com combinação de várias fitas e destaque para o amarelo, que traz toda a graça da história!


Aqui o tecido, que também era parte do presente, veio para o lado de fora e arrematou a embalagem feita com papel de presente tradicional. Quando o próprio presente produz uma bela imagem, porque não usá-lo como parte do pacote?


Até os saquinhos mais simples de tnt podem ganhar uma graça a mais. Eles ficam fofos com carimbos especiais. Neste caso optei por flor, fita e tag. Use o que você tiver à disposição!


Em vez de cobrir todo o presente, o tecido aqui dá apenas o ar da graça, trazendo um charme a mais para o conjunto. Uma ótima alternativa para quando precisamos cobrir uma pequena parte da embalagem, como no caso de reaproveitamento de caixas de lojas em que o nome está impresso na tampa.


Já deu pra notar que mesmo o menor detalhe com tecido deixa tudo mais charmoso, não é? Até um pedacinho minúsculo de renda misturado a algumas fitas pode tornar-se um adereço especial, é só soltar a imaginação! Obrigada por ter passado por aqui e, se quiser mais inspirações, na tag embalagem com tecido tem mais! Bom fim de semana!



04 dezembro 2015

Pare e respire #15 - As sufragistas

Há alguns dias assisti ao filme As Sufragistas, que estreará no Brasil no dia 24 de dezembro. Ele conta um pouquinho da história da luta pelo direito ao voto feminino no Reino Unido. Levei minha filha de 12 anos para assistir ao filme que se passa em 1918 e sua primeira reação foi ficar surpresa como há tão pouco tempo nossos direitos na esfera civil eram praticamente nulos (isto porque ela ainda nem tinha visto ao final do filme que a Suíça, por exemplo, só instituiu o voto feminino em 1971(!) e a Arábia Saudita prometeu este ano que em breve as mulheres terão direito ao voto (!!!!). Sem o voto, tínhamos legislações feitas apenas por homens para homens. Ou seja, não tínhamos direito a abrir um negócio; não podíamos nos tornar juízas, deputadas ou exercer qualquer outro cargo público; não tínhamos nem mesmo direito à guarda dos filhos! A luta pelo voto era uma luta por todo esse longo caminho. E o filme mostra parte do movimento que tomou atitudes radicais em busca deste objetivo.



Observando as condições a que as mulheres estavam sujeitas não é difícil compreender porque algumas fizeram esta opção. O que é realmente duro de compreender é porque hoje toda essa luta é desconsiderada pelas próprias mulheres. Eu tenho que confessar que quando escuto uma mulher dizer que não é feminista ou chamar outra de "feministazinha" ou, no termo mais em voga, "feminazi" meu coração dói um pouquinho. Dói porque eu sinto como uma ofensa a todas que foram presas, que apanharam, que marcharam, que levantaram as que estavam no chão, que estiveram em audiências, que perderam o direito de ver os seus filhos para que eu e você tivéssemos hoje a liberdade de escolha de sermos engenheira, bailarina, astronauta, costureira, piloto, dona de casa ou presidente da república. Dói porque esta é uma luta que ainda está acontecendo em muitas esferas e muitas mulheres nem se dão conta disso. Dói porque a nova forma de conter as mulheres e sua capacidade é objetificá-las e deixá-las obsessivamente preocupadas com seu corpo e imagem, já que o status quo entendeu que não adianta dizer para uma mulher que ela não pode fazer alguma coisa, desde que  ela acredite que pode. 

Logo depois assisti ao documentário Miss Representation (disponível no Netflix somente em inglês) que mostra que ainda há um longo caminho a percorrer. Mulheres em posição de destaque e liderança são diminuídas e ridicularizadas todos os dias, seja por sua aparência, seja colocando em dúvida sua capacidade, seja tratando-as com condescendência por serem "apenas" mulheres. E na mídia como forma de entretenimento a coisa vai ainda pior. Existe uma distorção tão grande  entre o que é uma mulher real em que garotas possam verdadeiramente se inspirar e as mulheres que ganham destaque na mídia que é difícil até mensurar. Enquanto nos EUA mulheres entre a adolescência e os 30 anos representam 17% da população, elas representam 78% dos personagens femininos na televisão. E claro que isso não é diferente por aqui. Estamos dizendo às nossas meninas todos os dias: não envelheça e não engorde pois isso é feio e você vai ser tornar invisível. E isto é apenas uma das muitas mensagens absurdas que estamos permitindo que sejam passadas às novas gerações. 

Há pouco tempo Essena O´Neill, uma menina de 18 anos com mais de 1 milhão de seguidores no Instagram e ídolo de milhões de adolescentes que sonhavam com o seu tipo de vida, tornou-se assunto da mídia mundial quando decidiu abandonar as redes sociais, não sem antes falar a verdade por trás de cada foto, da sua "espontaneidade" totalmente programada, da tonelada de maquiagem para esconder imperfeições, do dinheiro que vinha com cada "sugestão" de produto e da sua infelicidade pela falta de conexões reais. Ela relata que um momento crucial para a sua decisão foi ter encontrado uma menina de 12 anos na rua que pediu detalhes sobre como seguir a carreira de modelo e alcançar tudo que ela (Essena) conquistou. Ali ela percebeu que sua imagem completamente editada era inspiração e aspiração de meninas que deveriam estar sonhando em ser muito mais que um rosto e um corpo bonito.

Todas essas histórias me tocam profundamente não apenas por eu ser mulher e parte desse sistema, tanto usufruindo dos benefícios conquistados pelas que vieram antes de mim como de alguma maneira ajudando a consolidá-los (além de involuntariamente ajudar a perpetuar algumas desigualdades), mas por ter uma filha de 12 anos cheia de sonhos e vida, naquele momento mágico em que começamos a descobrir o mundo por nós mesmas com todas as implicações que isso traz. Daqui do meu pequeno cantinho contribuo para disseminar essas ideias para que ela encontre um mundo que a respeite por quem ela é. 



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